Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

another design blogg'irl

another design blogg'irl

personalidades - Elisabel Jota

Olá leitores, hoje no Personalidades vamos ver o percurso da Isa, uma designer de moda e gráfica que estudou comigo durante a LDMM - Licenciatura em Design e Marketing de Moda. 

30595166_2052418871467507_3357382455043555328_o.pn

 

Deliciem-se, absorvam conhecimentos e aprendam ;)  

 

"Ora bem, estava eu a fazer a minha rica licenciatura em Design e Marketing de Moda e a mandar currículos para algum trabalho de férias ou part-time, quando soube que uma certa empresa em Fafe andava à procura de Designer. Estava eu no 3º ano da faculdade (aquele assim que não custa mesmo nada, nem tem milhões de projectos finais e tal). Ora bem, mandei o meu currículo durante uma directa, deviam ser umas 7 ou 8 da manhã, enquanto terminava um trabalho qualquer para uma das cadeiras do curso.

Qual nao é o meu espanto quando recebo uma chamada do patrão da dita fábrica uma meia hora depois a marcar entrevista!

 

Mal sabia eu no que me ía meter… Ora bem, fui à entrevista e decidiram por-me à experiência com o trabalho para um cliente (Sfera, na altura) e a resposta do cliente iria ser a decisão sobre o meu trabalho. Lá me deram o briefing e tal, o cliente gostou, colocou encomenda, e o resto já se imagina… Fiquei a fazer part-time, e a trabalhar com marcas como a Blanco, Zara Niña e Zara Baby Girl, El Corte Ingles, NafNaf e Next.

Isto desenrolou e tal, aumentaram a equipa de Design (ainda estou no inicio e já estou cansada, vou ser mais sucinta!),

terminei o curso, ainda antes de vir a aprovação do estágio profissional, mandaram-me para o estúdio de design da Sede da Empresa, em Barcelona (o estudio, a sede é na Povoa de Lanhoso).

 

 

Lá fui eu abandonada e melancólica para Barcelona durante um mês, trabalhar com designers séniores fantásticos, tanto de moda como de gráfico.

 

Eu mencionei que comecei a trabalhar apenas como designer gráfica?

Pois.

Mas foi. (ser autodidacta, ver tutoriais e desenvolver qualidades por gosto, acaba por compensar; sendo que o curso nao tinha direccionamento para esta área).

30531328_2052419584800769_7908212128371179520_n.pn

 

 Regressei, dei orientação de estágio curricular a 3 colegas (ainda durante o meu estágio profissional), passaram-me para a Sede onde vi o real mundo da Fast Fashion acontecer em duplicado daquilo que havia vivenciado antes.

fast-er-fashion.jpg

 

 

Neste momento continuo a ter a Next como principal cliente, mas estou desde Novembro de 2014 numa outra empresa, concorrente a ambas as que trabalhei anteriormente. 

orders.PNG

orders from next, designed by Elisabel Jota

 

 

Isto assim a nivel de percurso, um bocado atribulado!

 

Quanto ao “viver” o fast-fashion em relação a criação e desenvolvimento, ora bem.

Só tenho a dizer que nao é para qualquer um.

sdsd.jpg

Para os leitores menos conhecedores aqui estão as maiorais do fashion:

Grace and Anna Wintour (Find out more

 

O stress acompanha todas as horas de trabalho. Tem de haver um imenso mecanismo robótico - aquele botãozinho ON/OFF -, de desligar de um departamento, passar para outro; mudar de um briefing para outro mil vezes ao dia, lidar com clientes de peito erguido, prepotentes e sem-noção, que nem sequer questionam ou ouvem as limitações sobre determinadas questões técnicas, e querem porque sim e porque podem (e no final nem compram!)

Os processos e meios de trabalho são vários e dependem de marca para marca;

Ora bem a Inditex tinha uma abordagem muito mais “pró-tendências” onde apresentávamos directamente as colecções e ou gostávamos ou íamos à fava;

Já a Next orienta tudo muito direitinho, faz briefings concretos, e depois nem sequer responde aos desenvolvimentos e deixa-os assim ao vento.

É preciso saber ter jogo de cintura para lidar com agentes e clientes, seja em que area for. Mas num ponto de vista de fast-fashion há um peso inerente no que ao “contra-corrente” diz respeito.

E atenção…

Acredito plenamente que o trabalho comercial seja muito mais frustrante! A mim apenas os desenhos e propostas dizem respeito.

 

Temos 7 cães a um osso, temos concorrência de países com mão-de-obra muito mais barata (e exploração e tal, e fuga ao fisco e s normativas… quem? eu? nem falei!!!!), pelo que se torna um campo bastante complicado de entrar, mexer e nadar. Porque a corrente a qualquer minuto dá uma volta e ficamos perdidos!

 

Basta uma TopShop lançar uma sweatshirt com um nó no peito, ou as mangas em xadrez ou uma técnica xpt, lá vamos nós em tempo record desenvolver, criar, prototipar e voltar ao campo de batalha!

 

Mas uma coisa tenho a dizer… A realização de ver um trabalho nosso (por muito que 100 artworks ou modelos mais bonitos nao tenham sido aprovados) à venda numa multi-nacional, que vai chegar a pessoas por todo o mundo, e até ver alguém na tv do outro lado do globo a usar algo que foi desenhado por nós… Não há comparação :)

Conselhos?

Aprender a desligar, a não levar as coisas a peito. Afinal de contas, não estamos uns contra os outros! Estamos em competição sim, mas de um modo positivo, no qual balançar correctamente o lado “robótico” do design com a criatividade e conhecimento do cliente nos pode levar a grandes resultados!

 

E por mim falo, que sinto uma grande felicidade quando vou ao estrangeiro ou lido com os compradores dos departamentos, quer quando nos visitam como quando vou ao head office em Leicester, e sou reconhecida, reconhecem o meu trabalho, ou que sou  ...

30530957_2052419184800809_1143206030885257216_o.pn

"a menina que desenha os unicórnios”

 

Pronto, e em tom de conclusão. Há que haver bastante versatilidade! Não só com as marcas, com os departamentos, diferentes clientes e as suas particularidades. E aprender a mudar entre eles durante as criações diárias, mais rápido do que trocar de cuecas após o duche! " 

 

Então pessoal, gostaram da história da Isa?

Aprenderam alguma coisa? ... Sejam curiosos, esforcem-se, acreditem e trabalham muito que acontece! 

Mais uma Personalidade que inspira e que mostra que o percurso do designer é atribulado, stressante... mas ao mesmo tempo muito enriquecedor!